Miomas Uterinos: Guia Completo sobre Tipos, Tratamento e Cirurgia
Baseado nas Diretrizes do Ministério da Saúde

Miomas Uterinos: Guia Completo sobre Tipos, Tratamento e Cirurgia

Os leiomiomas, miomas ou fibromas uterinos são tumores benignos originados de células musculares lisas do miométrio (músculo uterino). Este guia apresenta informações baseadas nas diretrizes do Ministério da Saúde sobre tipos, fatores de risco e opções de tratamento.

O que são Miomas Uterinos?

Definição

Miomas uterinos são tumores benignos originados de células musculares lisas do miométrio (músculo uterino).

Outros nomes: Leiomiomas, fibromas uterinos

Tipos de Miomas por Localização

Os miomas são costumeiramente descritos de acordo com sua localização:

1. Miomas Intramurais

Desenvolvem-se dentro da parede uterina e podem ser grandes o suficiente para distorcer a cavidade uterina e a superfície serosa.

2. Miomas Submucosos

Derivam de células miometriais localizadas imediatamente abaixo do endométrio e frequentemente crescem para a cavidade uterina.

3. Miomas Subserosos

Originam-se na superfície serosa do útero e podem ter uma base ampla ou pedunculada e ser intraligamentares.

4. Miomas Cervicais

Localizados na cérvice (colo) uterina.

Epidemiologia e Prevalência

📊 Dados Estatísticos

Prevalência Geral

  • Os miomas são uma causa comum de morbidade em mulheres em idade reprodutiva
  • A maioria apresenta-se assintomática, não necessitando de nenhuma intervenção
  • A maioria das mulheres sintomáticas apresenta mioma na 4ª e 5ª décadas de vida
  • A incidência varia grandemente: de 5% a 80%, de acordo com o método diagnóstico utilizado

Prevalência por Ultrassonografia Transvaginal

Em uma amostra aleatória de mulheres entre 25-40 anos de idade:

  • 5,4% de prevalência geral
  • 3,3% para mulheres entre 25 e 32 anos
  • 7,8% para mulheres entre 33 e 40 anos

Relação direta entre prevalência e idade das pacientes.

Miomas Submucosos

  • 6% a 34% em mulheres com hemorragia anormal (histeroscopia)
  • 2% a 7% em mulheres sob investigação de infertilidade

Faixa Etária

  • Miomas não têm sido descritos em meninas pré-púberes
  • Já foram descritos em adolescentes

Fatores de Risco

Fatores Relacionados ao Desenvolvimento de Miomas

Aumentam o Risco

  • Nuliparidade: maior risco em mulheres que nunca tiveram filhos
  • Carnes vermelhas: associam-se a risco de desenvolvimento
  • Obesidade: maior risco
  • Etnia: mulheres negras têm maior risco
  • História familiar e genética

Diminuem o Risco

  • Uso de anticoncepcional oral (ACO): protege contra o desenvolvimento de miomatose
  • Tabagismo: diminuição de risco
  • Vegetais verdes: associados à diminuição de risco

Tratamento

💡 Tratamento de Eleição

O tratamento de eleição de mioma é cirúrgico.

  • Histerectomia: tratamento definitivo
  • Miomectomia: ressecção do mioma (procedimento alternativo)

1. Histerectomia (Tratamento Definitivo)

Benefícios

A histerectomia elimina os sintomas e a chance de problemas futuros.

Indicações

Para mulheres com:

  • Prole completa
  • Sintomas significativos
  • Múltiplos miomas
  • Desejo de um tratamento definitivo

Resultados Comprovados

  • Redução da intensidade dos sintomas
  • Redução de depressão e ansiedade
  • Melhora da qualidade de vida

2. Miomectomia (Ressecção do Mioma)

Indicações

A miomectomia é uma opção para mulheres que:

  • Não aceitam a perda do útero
  • Desejam engravidar

Principalmente se a localização do mioma for submucosa ou intramural.

Vias de Acesso

O procedimento pode ser realizado por:

  • Via transabdominal ou aberta
  • Laparoscópica
  • Minilaparotômica

⚠️ Complicações da Miomectomia Laparoscópica

A miomectomia laparoscópica apresenta:

  • Complicações cirúrgicas gerais
  • Taxa de conversão para cirurgia aberta: 2% a 8%
  • Formação de fístulas útero-peritoneais
  • Risco de ruptura uterina em gestações subsequentes
  • Risco de recorrência

Importante: A utilização desta técnica tem sido questionada por alguns autores em mulheres que planejem gestar.

Técnica Cirúrgica da Miomectomia

Identificação da "Falsa Cápsula"

Na remoção do mioma, a "falsa cápsula" (a junção entre o mioma e o miométrio normal) deve ser identificada.

Com uma combinação de dissecção romba e cortante, o mioma pode ser "descascado".

Cuidados Cirúrgicos

  • Ao remover vários miomas, o cirurgião deve evitar múltiplas incisões do útero
  • Evitar a entrada na cavidade endometrial
  • A melhor incisão para um mioma solitário é sobre a maior protuberância produzida por ele

Fechamento

A abertura deixada pela remoção dos miomas deve ser aproximada por:

  • Sutura em camadas
  • Pontos separados
  • Fio Vicryl
  • Até que o espaço esteja fechado

A superfície serosa deve ser reparada com pontos separados.

💡 Vascularização dos Miomas

Os miomas uterinos apresentam grande vascularização. O retorno venoso do útero miomatoso é grande e anômalo, com grandes vasos sinusoidais identificados em posição subserosa.

Hemostasia

Uma solução de vasopressina 1:100 é injetada no útero para a hemostasia. Cuidados devem ser tomados para evitar a injeção intravascular.

3. Terapia Medicamentosa

Vantagens

  • Não submete a paciente aos riscos cirúrgicos
  • Permite a preservação do útero

⚠️ Limitações da Terapia Medicamentosa

Pacientes preferem submeter-se diretamente à cirurgia pelo fato de que:

  • A suspensão do tratamento medicamentoso se associa a rápida recorrência dos sintomas
  • Efeitos adversos dos medicamentos
  • Não há estudos que demonstrem melhora nas taxas de gestação ou de nascimentos

Indicação Segundo o Ministério da Saúde

Assim, a terapia medicamentosa está indicada no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Leiomioma de Útero disponibilizado pelo Ministério da Saúde apenas nos casos de contraindicação cirúrgica.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Leiomioma de Útero.
  2. Medeiros, A.; Filho, I. Choque Hemorrágico em Cirurgia. J Surg Cl Res, v. 8, n. 2, p. 170–183, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/jscr/article/download/14306/9452/44116
  3. Tito Lopes et al. Bonney Cirurgia Ginecológica. Tradução de Eliseanne Nopper, Ângela Nishikaku, Isis Rezende, Issis de Vitta & Sandra Mallmann – 12. Ed. – Rio de Janeiro – RJ: Thieme Revinter Publicações, 2020. 344 p.
  4. Baggish, M. S.; Karram, M. M. Atlas de anatomia pélvica e cirurgia ginecológica. Tradução Carlos André Oighenstein, Eliseanne Nopper, Manoel Giffoni. -- 4. ed. [Reimpr.] - Rio de Janeiro: GEN | Grupo Editorial Nacional. Publicado pelo selo Editora Guanabara Koogan Ltda., 2021. 1408 p.

Este artigo é de caráter informativo e baseado nas diretrizes oficiais do Ministério da Saúde. Para orientações específicas sobre seu caso, consulte seu ginecologista.