Aborto Espontâneo: Guia Completo sobre Causas, Sintomas e Diagnóstico
O aborto espontâneo é a complicação mais comum da gravidez, afetando entre 12% a 24% das gestações confirmadas por teste urinário. Este guia apresenta informações baseadas no Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, abordando definições, causas, sintomas e diagnóstico desta condição.
Definições Importantes
Aborto Espontâneo
Gestação intrauterina não viável até 20-22 semanas ou peso fetal de 500g.
Classificação Temporal
- Aborto precoce ou de primeiro trimestre: até 12 semanas e 6 dias
Perda Bioquímica
Aborto que ocorre após um teste urinário ou beta-hCG positivo, mas sem diagnóstico ultrassonográfico ou histológico (análise microscópica do material da expulsão ou curetagem uterina).
Aborto Clínico
Termo utilizado quando a ultrassonografia ou a histologia confirmam que houve uma gravidez intrauterina.
Abortamento Habitual
2 ou mais abortamentos consecutivos. A investigação das causas da perda gestacional está indicada nestes casos.
Epidemiologia do Aborto Espontâneo
📊 Dados Estatísticos
- O aborto é a complicação mais comum da gravidez
- Frequência relatada de perda gestacional em mulheres com teste urinário positivo: 12% a 24%
- A real taxa de aborto é provavelmente maior, pois muitas perdas ocorrem antes do diagnóstico de gravidez
- A maioria dos abortos espontâneos ocorre nas primeiras 12 semanas
- 75% das perdas por anormalidades cromossômicas ocorrem em até 8 semanas
- A taxa de aborto e de aneuploidias diminui com o avançar da idade gestacional
Fisiopatologia do Aborto Espontâneo
Sequência de Eventos
A morte do embrião ou feto é acompanhada por:
- Hemorragia da decídua basal (endométrio – região glandular que descama na menstruação)
- Necrose (morte) tecidual
- Estimulação das contrações uterinas
- Expulsão do produto da concepção
Causas do Aborto Espontâneo
Aborto Espontâneo Único
Decorre, muitas vezes, de alterações cromossômicas. Entretanto, em várias ocasiões, não é possível esclarecer a causa da perda.
Fatores Fetais
São representados, principalmente, pelas aneuploidias (falta de cromossomos).
Dados Importantes
- 75% das perdas por anormalidades cromossômicas ocorrem em até 8 semanas
- A taxa de aborto e de aneuploidias diminui com o avançar da idade gestacional
Quando Investigar as Causas?
A investigação das causas da perda gestacional está indicada na repetição do aborto, chamado de abortamento habitual (2 ou mais abortamentos consecutivos).
Sintomas e Diagnóstico Diferencial
Sintomas Sugestivos de Aborto
- Sangramento vaginal
- Desaparecimento dos sintomas gestacionais
⚠️ Atenção ao Diagnóstico Diferencial
Sintomas inespecíficos, como sangramento e cólicas, podem também ocorrer em:
- Gestação normal
- Gestação ectópica
- Doença trofoblástica
Isso dificulta o diagnóstico diferencial.
Apresentações Clínicas
As apresentações clínicas incluem:
- Aborto não complicado
- Aborto complicado por hemorragia
- Aborto complicado por infecção
Tal classificação determinará a urgência ou não na conduta.
1. Aborto Não Complicado
Características
- Paciente hemodinamicamente estável
- Sem evidências de infecção
Sintomas
- Redução ou desaparecimento dos sintomas gestacionais: mastalgia, náuseas e vômitos
- Sangramento vaginal: volume varia bastante
- Pacientes podem referir eliminação de coágulos ou membranas
- Cólicas abdominais: podem variar de leves a severas, especialmente durante a passagem do tecido gestacional pelo colo uterino
Importante
A perda gestacional não pode ser confirmada sem outras avaliações, principalmente a ultrassonografia transvaginal.
2. Aborto Complicado por Hemorragia
⚠️ Emergência Médica
A paciente apresenta:
- Sangramento vaginal maciço
- Alteração de sinais vitais
- Anemia
- Taquicardia
Conduta
Necessidade de:
- Transfusão sanguínea
- Esvaziamento uterino cirúrgico
3. Aborto Complicado por Infecção
⚠️ Avaliação e Tratamento de Emergência
A paciente pode apresentar:
- Dor abdominal ou pélvica
- Sensibilidade uterina
- Secreção purulenta
- Febre
- Taquicardia
- Hipotensão
Requer avaliação e tratamento de emergência.
Diagnóstico por Ultrassonografia
Ultrassonografia Transvaginal
É o exame-padrão para mulheres com complicações na gestação inicial.
Critérios Diagnósticos
Quando a gravidez foi anteriormente identificada ao ultrassom, o diagnóstico de aborto é feito por:
- Não visualização da gravidez em exame posterior
- Ausência de atividade cardíaca fetal
Prevenção e Tratamento
💡 Importante Saber
Não há na literatura médica atual nenhum tratamento com vistas a evitar ou prevenir abortos precoces, visto que a maioria deles relaciona-se com alterações cromossômicas do produto da concepção.
Implicações Práticas
Como a maioria dos abortos espontâneos precoces decorre de alterações cromossômicas incompatíveis com a vida:
- Repouso, medicamentos ou hormônios não previnem o aborto
- O processo é inevitável quando há anormalidade cromossômica grave
- A investigação está indicada apenas em casos de abortamento habitual (2 ou mais perdas consecutivas)
Referência
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2022.
Disponível para download: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/manual-de-gestacao-de-alto-risco-ms-2022/
Este artigo é de caráter informativo e baseado no Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde. Para orientações específicas sobre seu caso, consulte seu obstetra.